Espetáculo No Apologies investiga de forma poética e provocativa a teoria de que Kurt Cobain seria transgênero, misturando a estética grunge com mitologia e relatos autobiográficos. A peça faz duas sessões em São Paulo, no Teatro Manás, e segue para São José do Rio Preto, no interior do estado, onde participa da Mostra Cênica Resistências.
Escritora, criadora teatral e performer premiada, cujo trabalho frequentemente aborda questões relacionadas à identidade de gênero e de cunho político, a inglesa Emma Frankland chega a São Paulo em maio para estrear no Brasil seu espetáculo No Apologies. As sessões acontecem no Teatro Manás Laboratório nos dias 8 e 9 de maio, sexta, às 23h30, e sábado, às 16h, numa parceria entre o coletivo Cênica (São José do Rio Preto, SP) e a Périplo Produções, com apoio do British Council.
Destaque na edição de 2025 do Edinburgh Fringe Festival, na Escócia, a obra propõe uma releitura radical do icônico show MTV Unplugged (1993), do Nirvana, a fim de explorar as complexidades do vocalista e compositor Kurt Cobain, que tirou a própria vida aos 27 anos.
Escrita e interpretada por Emma Frankland, ela própria da geração que vivenciou o movimento grunge popularizado pela banda estadunidense, a obra tem direção de Harry Clayton-Wright e conta com música original e trilha sonora do compositor Keir Cooper. A produção é da Marlborough, conhecida por suas produções em performances queer e interseccionais.
O espetáculo inspira-se na teoria disseminada na internet de que o músico seria transgênero, baseada em indícios como suas aparições vestindo peças de roupa femininas. Em cena, Frankland explora de forma lúdica a possibilidade de imaginar como seria o mundo para as vidas trans se Kobain, conhecido ao redor do globo, tivesse assumido sua suposta identidade de gênero. Ao mesmo tempo, a artista questiona a pressão sobre corpos moldarem-se aos papéis aceitos pela sociedade e os perigos de viver em desacordo com a própria essência.
Partindo da releitura do show, o espetáculo se desdobra e se transforma, norteado por uma narrativa pessoal e multifacetada. A artista transita na linha tênue entre o hilário e a comoção ao costurar elementos da cultura pop, mitologia e ritual, movida pela experiência de amadurecer nos anos 1990.
A trilha é executada ao vivo por Frankland. O figurino reproduz as peças usadas por Cobain na apresentação, assim como a cenografia traz elementos que remetem à sua atmosfera. O design de luz é de Simon Booth, design e confecção de figurino por Philip J Shaw e ambientação cênica assinada por Tamara D’Silva.
Outras apresentações
Depois da capital, No Apologies segue para São José do Rio Preto, no interior do estado, onde faz a abertura da Mostra Cênica Resistências. A apresentação será no dia 12 de maio, às 20h, no Sesc Rio Preto.
Projeto concebido e realizado pelo coletivo Cênica, sediado na cidade, em 2026 a mostra chega à sua 7ª edição, viabilizada por meio do edital Fomento CultSP PNAB nº 39/2024 – Fomento à Economia Criativa, com o apoio do British Council. O evento acontece até 16 de maio e a programação completa será divulgada nos próximos dias. Todas as ações da mostra são gratuitas.
Frankland fará mais uma apresentação no interior paulista, na cidade de Jales, no dia 17, às 19h, no Teatro Municipal, como extensão da Mostra Cênica Resistências.
Sobre a artista
Emma Frankland construiu uma trajetória consolidada como artista inovadora e inventiva. Sua coletânea de cinco performances solo foi publicada no Reino Unido pela editora Methuen, sob o título None of Us is Yet a Robot: Five Performances on Gender Identity and the Politics of Transition.
Em 2023, coadaptou a peça clássica Galatea, de John Lyly, apresentada como parte do Brighton Festival e publicada pela Bloomsbury. Em 2019, criou We Dig, com um elenco de mulheres trans de várias partes do mundo.
Soma trabalhos apresentados em diversos países. No Brasil, participou em 2013, junto com Keir Cooper, do Tempo Festival (RJ), com uma adaptação de Dom Quixote, e, em 2017, do Festival Mix Brasil (SP), com Rituals for Change (criação em colaboração com Myriddin Pharo, Ivor MacAskill e Keir Cooper), em parceria com a SSEX BBOX.
É artista associada da Marlborough Productions. Escreveu diversos episódios da série Hollyoaks (Channel 4).
“Em uma performance poética e cativante, dirigida por Harry Clayton-Wright, ela [Emma Frankland] transita do humor à raiva ao refletir sobre as pressões de não ser vista, não ser aceita, não ser valorizada. Como uma Ícaro feminina, diz ela, em uma releitura do mito clássico, abrindo suas gloriosas asas e se revelando ao mundo, ainda assim poderia ser contida, com suas penas aparadas por uma sociedade intolerante.” — Mark Fisher, crítico teatral do The Guardian
“Emma Frankland cria um espetáculo ritualístico, uma vigília repleta de luto, alegria e entrega selvagem. E esperança. Este espetáculo incrivelmente lindo é um chamado para viver sua vida nos seus próprios termos e ao máximo — e, sendo você trans ou não, isso salva vidas de todas as maneiras.” — Lyn Gardner, crítica de teatro e editora associada do The Stage
Sinopse
No Apologies mergulha profundamente nos debates da internet e na mitologia clássica, reinterpretando de forma radicalmente distorcida o icônico show MTV Unplugged do Nirvana, de 1993. A obra se contrapõe à pressão de nos moldarmos a imagens aceitáveis pela sociedade e evidencia o perigo que surge quando não conseguimos viver como nosso eu pleno e vibrante.
Ficha técnica
Texto e performance: Emma Frankland
Direção: Harry Clayton-Wright
Design de som e composição musical original: Keir Cooper
Design de iluminação: Simon Booth
Figurino: Philip J Shaw
Design de flyer e logotipo: Charlie Wood
Design de outdoor: Sarah Ferrari
Cenografia: Tamara D’Silva
Fotografia: Matt Crockett
Produção: Marlborough Productions e Emma Frankland
Assessoria de imprensa da circulação no Brasil: Graziela Delalibera
Produção no Brasil: Cênica e Périplo
Apoio: British Council
SERVIÇO
No Apologies
Datas: 08 e 09 de maio de 2026, sexta, 23h30, sábado, 16h
Local: Teatro Manás Laboratório – Rua Treze de Maio, 222, Bixiga – São Paulo/SP
Ingressos: R$ 60,00 (inteira) e R$ 30,00 (meia), via Sympla – www.sympla.com.br/produtor/teatromanaslaboratorio
Duração: 70 minutos
Classificação: 16 anos
Capacidade: 60 lugares

