Com direção e coreografia de Renan Marangoni, DJOVENSKI apresenta 13 bailarinos em cena, que dançam sobre uma grande instalação metálica remetendo a um barco, mas que se transforma ao longo da apresentação em diferentes imagens. Grupo também lança a nova edição do Programa CENA, com entrevistas de artistas de diferentes gerações da dança brasileira.
Os deslocamentos humanos, as fronteiras e os impactos dos fluxos migratórios na sociedade contemporânea são o ponto de partida de DJOVENSKI, mais recente espetáculo do Grupo Corpo Molde, que retorna aos palcos em apresentações gratuitas de 29 a 31 de maio no Teatro Arthur Azevedo (sexta-feira e sábado, às 20h, e domingo, às 19h). Em cena, 13 bailarinos atravessam questões ligadas à pluralidade cultural, à diversidade social e aos desafios enfrentados por imigrantes e refugiados, propondo também uma reflexão sensível sobre os 30 artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
No palco, os bailarinos apresentam sete cenas em uma composição coreográfica que retrata as instabilidades políticas, sociais e econômicas dos imigrantes e refugiados. Entre o caos e a humanidade, o espetáculo delineia os desafios das travessias, as reflexões sobre a construção dos direitos humanos e a sua efetivação e a busca pela dignidade da vida humana.
DJOVENSKI traz em seu elenco as bailarinas Martina Celedon, da Argentina e Jazu Weda, do Haiti, que se juntam ao espetáculo após participarem da Residência Artística promovida pelo Grupo Corpo Molde no Centro de Referência e Atendimento para Imigrantes (CRAI Oriana Jara) no centro de São Paulo. A coreografia se completa com os bailarinos Ana Paula Carmo, Bruno Faowmanma, Claudiana Honório, Elian Vieira, Luiz Ragusa, Gabriel Madrigrano, Kali Silva, Mika Kuma, Sabrina Menez, Tatiane Santos e Yuri Nascimento.
Homenagem a menino haitiano
O diretor e coreógrafo Renan Marangoni, explica que DJOVENSKI finaliza a dramaturgia de pesquisa do Grupo Corpo Molde denominada dramaturgia de uma dança humanitária. “Essa pesquisa iniciada com Sapiens, espetáculo anterior do coletivo, aborda as questões das relações humanas e seus impactos na sociedade e traz para a cena a relevância da pluralidade encontrada por meio da dança, saberes e culturas em busca da construção do chão que a gente pisa”.
DJOVENSKI também é uma homenagem ao menino haitiano Djovenski de 8 anos, que morreu ao tentar “chegar nas Américas” junto com seu pai e irmã mais nova. Os irmãos foram alunos do diretor e coreógrafo Renan Marangoni na Associação Maria Flos Carmeli, rede socioassistencial e educacional, que o artista atua desde 2017 e que acolhe imigrantes, na Baixada do Glicério, em São Paulo.
“Em 2021, durante as flexibilizações da pandemia de COVID-19, tive o meu último encontro com ambos. No meio do mesmo ano recebi a informação que a família iria em busca de uma vida melhor e ao final do ano fui impactado com a notícia que apenas o pai e a irmã, conseguiram atravessar, via mar, o trajeto planejado. Djovenski, não conseguiu atravessar e acabou morrendo afogado”, conta Renan.
Bailarinos dançam em estrutura metálica
Assinada pelo artista e cenógrafo Rager Luan, a cenografia de DJOVENSKI (indicada ao Prêmio APCA de Dança na categoria Técnica) se estabelece como um dos elementos centrais da narrativa do espetáculo. Estruturada a partir de uma grande instalação metálica que remete inicialmente a um barco – símbolo direto das travessias migratórias e dos deslocamentos forçados –, a estrutura se transforma ao longo da apresentação em diferentes imagens e espaços cênicos, acompanhando as mudanças emocionais e simbólicas da obra.
Os bailarinos ocupam a estrutura em diferentes alturas e direções, criando composições que evocam instabilidade, espera, travessia e sobrevivência. O desenho geométrico e a aparência industrial do cenário contrastam com a presença humana dos corpos em cena, reforçando a tensão entre deslocamento, vulnerabilidade e resistência.
Novas entrevistas no Programa CENA
Paralelamente à temporada do espetáculo, o grupo lança a nova edição do Programa CENA, iniciativa criada para promover encontros entre artistas de diferentes gerações da dança brasileira em entrevistas interativas exibidas gratuitamente nas redes sociais do Grupo Corpo Molde. Com o tema Dança, Ativismo e Resistência, a temporada de 2026 recebe os artistas Sandro Borelli, Sulla Andreato e Ciro Barcellos.
Realizado desde 2020, o Programa CENA chega à sua quinta temporada com 51 episódios produzidos e cerca de cinco mil espectadores alcançados por meio do Instagram e YouTube do grupo. Em 2021, a iniciativa recebeu o Prêmio Denilto Gomes, da Cooperativa Paulista de Dança, pelo trabalho de difusão e valorização da dança brasileira. Os episódios inéditos serão disponibilizados gratuitamente aos sábados de maio, às 12h, no canal do grupo no YouTube.
As apresentações de DJOVENSKI e a nova edição do Programa CENA integram o projeto 3ª – A história no tempo presente, contemplado pela 38ª edição do Fomento à Dança da cidade de São Paulo, e fazem parte do processo de criação da nova obra coreográfica do Corpo Molde, com estreia prevista para o mês de julho.
Sobre o Grupo Corpo Molde
O Grupo Corpo Molde nasceu em 2013 dentro do território do Campo Limpo localizado na Zona Sul de São Paulo, através do bailarino Renan Marangoni. Desde então já realizou mais de 160 ações em sua maioria nas periferias da Zona Sul da capital paulista impactando cerca de oito mil pessoas. O grupo possui em sua essência a iniciação de jovens na linguagem artística da dança, pelo qual os intérpretes-criadores, passam por diversas aulas em seu processo de formação. Ao decorrer dos anos o grupo realizou a montagem de seis espetáculos e várias ações artísticas. No ano de 2015 foi contemplado pelo Edital VAI-I com o projeto Expansão Corpo Molde e no ano de 2016, foi contemplado pelo edital VAI-II, pelo projeto Ausência. Em 2020 realizou diversas iniciativas em suas redes sociais durante o período da pandemia e isolamento social, como entrevistas com personalidades da Dança de São Paulo e do Rio de Janeiro, debates sobre a importância da luta feminina e cursos de capacitação para produtores e trabalhadores do setor cultural e de dança com aulas teóricas e práticas. No ano seguinte circulou por diferentes espaços culturais de São Paulo com o espetáculo Bambaquerê, primeira montagem do coletivo para o público infantil. Em 2022 o grupo estreia Sapiens, que busca refletir sobre o termo “sapiens”, que deriva do latim “homem sábio” levando em consideração a sociedade atual da qual o homem sobrevive sobre a falsa ideia de sabedoria. No mesmo ano, abre sua sede, a Casa CM, localizada na Vila Prudente, zona leste da capital paulista, com sala de ensaio (6m x 4m), equipamentos e biblioteca com mais de 202 obras literárias de diversas vertentes, inclusive de pesquisas em dança e 30 documentários que permeiam a preservação da memória da dança.
Facebook e Instagram – @corpomolde.
Serviço:
DJOVENSKI
Grupo Corpo Molde
29 a 31 de maio, sexta-feira e sábado, às 20h e domingo, às 19h.
Teatro Arthur Azevedo – Av. Paes de Barros, 955 – Alto da Mooca, São Paulo.
50 minutos | Livre | Gratuito (ingressos distribuídos com 30 minutos de antecedência).

